{"id":1040,"date":"2008-03-07T18:04:00","date_gmt":"2008-03-07T21:04:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.atini.org.br\/funai-tenta-impedir-veiculao-do-filme\/"},"modified":"2019-01-08T10:01:55","modified_gmt":"2019-01-08T13:01:55","slug":"funai-tenta-impedir-veiculao-do-filme","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.atini.org.br\/en\/funai-tenta-impedir-veiculao-do-filme\/","title":{"rendered":"Funai tenta impedir veicula\u00e7\u00e3o do filme"},"content":{"rendered":"<p><strong>Funai tenta impedir veicula\u00e7\u00e3o de filme<\/strong><br \/>\nCorreio Braziliense(03-07-2008)<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/app\/noticia\/brasil\/2008\/07\/03\/interna-brasil,16813\/funai-tenta-impedir-veiculacao-de-filme.shtml\"><em>O filme integra campanha de combate \u00e0 pr\u00e1tica de infantic\u00eddio entre tribos da Amaz\u00f4nia. Para a entidade, produ\u00e7\u00e3o generaliza tradi\u00e7\u00f5es de forma inadequada.<\/em><\/a><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>A Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai) estuda qual instrumento jur\u00eddico vai utilizar para impedir, na Justi\u00e7a, a divulga\u00e7\u00e3o do filme Hakani pela internet e emissoras de televis\u00e3o brasileiras. Com 36 minutos de dura\u00e7\u00e3o, o misto de document\u00e1rio e drama conta a hist\u00f3ria de duas crian\u00e7as ind\u00edgenas enterradas vivas por terem nascido com defici\u00eancias f\u00edsicas e faz parte da campanha contra o infantic\u00eddio nas tribos da Amaz\u00f4nia. O ritual ainda \u00e9 praticado por v\u00e1rias tribos, inclusive os Suruwaha, etnia que vive \u00e0s margens do Rio Purus, no Amazonas, onde a hist\u00f3ria do filme se passa. Era nessa aldeia que vivia a menina Hakani. \u201cA Funai est\u00e1 tomando provid\u00eancias para que o v\u00eddeo seja retirado do site YouTube, pois entende que o conte\u00fado denigre a imagem das mais de 220 etnias que vivem no Brasil\u201d, diz a nota da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Hakani \u00e9 o nome da menina que nasceu com hipertiroidismo e, por n\u00e3o ter o desenvolvimento f\u00edsico esperado pela tribo, foi enterrada viva, mas salva pelo irm\u00e3o mais velho. Depois de abandonada pela fam\u00edlia, a crian\u00e7a foi adotada pelo casal de ling\u00fcistas Marcia e Edison Suzuki. A menina, que completa 13 anos na pr\u00f3xima segunda-feira, vive e estuda em Bras\u00edlia. Com vers\u00f5es em portugu\u00eas e em ingl\u00eas, o filme relata, com pequenas adapta\u00e7\u00f5es, a hist\u00f3ria de Hakani e pode ser assistido no site <a href=\"http:\/\/www.hakani.org\/\">http:\/\/www.hakani.org\/<\/a>, criado para ser a principal pe\u00e7a da campanha contra o infantic\u00eddio entre ind\u00edgenas. A hist\u00f3ria da pequena \u00edndia foi revelada pelo Correio no ano passado.<\/p>\n<p>A Funai considerou \u201cescusa\u201d a origem do filme e teme a generaliza\u00e7\u00e3o inadequada de uma tradi\u00e7\u00e3o ind\u00edgena. A funda\u00e7\u00e3o admite acionar a Pol\u00edcia Federal para investigar a legalidade da realiza\u00e7\u00e3o do trabalho. Encarregada pela tutela dos ind\u00edgenas brasileiros, a dire\u00e7\u00e3o da entidade entende que a quest\u00e3o abordada pelo v\u00eddeo precisa ser tratada em uma ampla discuss\u00e3o sobre os direitos humanos universais e a relatividade cultural deles, envolvendo governo, organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e a sociedade em geral. A Funai conhece a pratica, mas garante que n\u00e3o \u00e9 comum a todas as etinias e, mesmo entre as que ainda a adotam, j\u00e1 h\u00e1 alternativas de ado\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as doentes por outras fam\u00edlias para evitar as mortes.<\/p>\n<p><strong>Interfer\u00eancia<\/strong><br \/>\nCom cenas consideradas exageradamente fortes e at\u00e9 criminosas por antrop\u00f3logos, o filme foi produzido pela organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental (ONG) Atini \u2014 palavra que significa voz pela vida \u2014 e financiado pela institui\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica Jovens com um ideal (Jocum), que tem sede nos Estados Unidos e v\u00e1rios escrit\u00f3rios no Brasil. A institui\u00e7\u00e3o se especializou na evangeliza\u00e7\u00e3o dos \u00edndios e no resgate de crian\u00e7as marcadas para morrer nas tribos por serem portadoras de necessidades especiais.<\/p>\n<p>O ex-presidente da Funai Mercio Pereira Gomes pediu a interfer\u00eancia da PF, do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e at\u00e9 do Supremo Tribunal Federal para impedir a divulga\u00e7\u00e3o do filme. \u201cA encena\u00e7\u00e3o \u00e9 criminosa. Os autores t\u00eam que ser processados e os demais respons\u00e1veis punidos rigorosamente\u201d, protestou Mercio.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das cenas na suposta aldeia Suruwaha, o document\u00e1rio mostra depoimentos do juiz Renato Mimessi, de Rond\u00f4nia, defendendo a campanha. Tamb\u00e9m aparece nas cenas o deputado Francisco Praciano (PT-AM), declarando, durante sess\u00e3o da Comiss\u00e3o de Direitos Humanos, que a Constitui\u00e7\u00e3o brasileira n\u00e3o foi feita para \u00edndios. O congressista reclamou. Segundo ele, a campanha agride a cultura ind\u00edgena. \u201cA pr\u00e1tica ind\u00edgena assusta o homem das cidades. Mas tamb\u00e9m assusta a interfer\u00eancia de entidades religiosas que querem alterar a cultura dos povos ind\u00edgenas, criminalizando uma pr\u00e1tica que ainda n\u00e3o sabemos entender\u201d, protestou.<\/p>\n<p><strong>Megaprodu\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nCom produ\u00e7\u00e3o digna dos grandes filmes de fic\u00e7\u00e3o e dirigido pelo cineasta americano David Cunningham (A \u00faltima das guerras), o document\u00e1rio informa que se trata de \u201cuma hist\u00f3ria ver\u00eddica\u201d. Foi rodado em janeiro em uma fazenda da Jocum, nos arredores de Porto Velho (RO), com a participa\u00e7\u00e3o de \u00edndios de v\u00e1rias etnias que vivem fora das aldeias e trabalharam como atores. Em algumas tomadas, foi utilizado at\u00e9 um helic\u00f3ptero para simular uma ventania. Para filmar o enterro das crian\u00e7as ainda vivas, a produ\u00e7\u00e3o utilizou um imenso bolo de chocolate para simular a cova. Com roteiro de Kevin Miller, e narra\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas da atriz Irene Ravache, o trabalho teve co-produ\u00e7\u00e3o do brasileiro Enock Freitas e os cineastas aceitaram trabalhar no filme como volunt\u00e1rios, segundo a Jocum.<\/p>\n<p>Os \u00edndios que atuaram no filme receberam cach\u00eas, mesmo sendo amadores. \u201cO direito \u00e0 vida \u00e9 mais importante que o direito de preservar as tradi\u00e7\u00f5es. Todas as culturas evoluem e precisamos superar essa pr\u00e1tica terr\u00edvel\u201d, comentou o \u00edndio Eli Ticuna. Ele, junto com a mulher e os filhos, atua nas filmagens. No fim do filme, a menina aparece contando como est\u00e1 a vida dela hoje, j\u00e1 tratada da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8220;A encena\u00e7\u00e3o \u00e9 criminosa. Os autores t\u00eam que ser processados&#8221;<br \/>\nMercio Pereira Gomes, antrop\u00f3logo<\/p>\n<p>&#8220;O direito \u00e0 vida \u00e9 mais importante que o direito de preservar as tradi\u00e7\u00f5es&#8221;<br \/>\nEli Ticuna, \u00edndio que atua no filme Hakani<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Funai tenta impedir veicula\u00e7\u00e3o de filme Correio Braziliense(03-07-2008) O filme integra campanha de combate \u00e0 pr\u00e1tica de infantic\u00eddio entre tribos da Amaz\u00f4nia. 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