{"id":1056,"date":"2006-04-23T21:45:00","date_gmt":"2006-04-24T00:45:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.atini.org.br\/o-paj-de-cristo-de-homer-e-dowly\/"},"modified":"2019-01-07T12:37:17","modified_gmt":"2019-01-07T15:37:17","slug":"o-paj-de-cristo-de-homer-e-dowly","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.atini.org.br\/en\/o-paj-de-cristo-de-homer-e-dowly\/","title":{"rendered":"O Paj\u00e9 de Cristo, de Homer E. Dowly"},"content":{"rendered":"<p><strong>O Paj\u00e9 de Cristo<\/strong>, de Homer E. Dowly, Ed. SEPAL, \u00e9 um precioso registro da cultura e da vis\u00e3o de mundo dos <em>uai-uai<\/em>, tribo que habita a densa floresta amaz\u00f4nica. Logo no primeiro cap\u00edtulo o livro confronta os leitores com o relato de um infantic\u00eddio. O ent\u00e3o menino Euc\u00e1, jovem que viria a ser o paj\u00e9 e l\u00edder de seu povo, aguarda ansiosamente o fim da gravidez de sua m\u00e3e e o nascimento de seu irm\u00e3ozinho. Enquanto isso, tenta encontrar uma maneira de evitar que a crian\u00e7a tenha o mesmo destino da que nascera um ano antes e fora morta pelo pr\u00f3prio pai. Apenas a coragem e a determina\u00e7\u00e3o do pequeno Euc\u00e1 podem poupar a vida dessa crian\u00e7a indefesa. Leia um trecho da hist\u00f3ria aqui.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Euc\u00e1 p\u00f4de at\u00e9 ver Tumic\u00e1 (seu padrasto) olhando com ar amea\u00e7ador para o nen\u00ea deitado onde nascera, no piso de terra da cabana-maternidade. Enquanto a crian\u00e7a permanecesse intocada, a morte por um pai raivoso era poss\u00edvel. Levant\u00e1-la do ch\u00e3o, entretanto, era salv\u00e1-la. O perigo de morte poderia ser afastado com esse simples gesto.<br \/>\nEuc\u00e1- lembrou-se do que Tumic\u00e1 dissera aos uais-uais que testemunharam o nascimento: &#8211; Essa coisinha n\u00e3o deve ser levantada do ch\u00e3o.<\/p>\n<p>Se algu\u00e9m teve desejo de salvar a crian\u00e7a, nenhum se apresentou; todos tinham medo de Tumic\u00e1 e foram embora, alguns murmurando uma v\u00e3 ame\u00e7a \u201cpara a pr\u00f3xima vez\u201d, depois que Tumic\u00e1 pqgou numa acha de lenha e deu, rapidamente, uma \u00fanica pancada na crian\u00e7a rec\u00e9m-nascida.<br \/>\nNaquela noite Euc\u00e1 chorou pela morte da crian\u00e7a que havia sido seu irm\u00e3o durante t\u00e3o curto tempo. Ele n\u00e3o teve o conforto de sua m\u00e3e que ainda permanecia sob o telhado triangular da cabana-maternidade com sua rede pendurada sob a rede do marido. Na casa grande ningu\u00e9m pareceu importar-se com o choro de Euc\u00e1 deitado em sua rede. A eles n\u00e3o imprtava que uma crian\u00e7a fora morta; tudo continuaria como de costume \u2013 tocariam suas flautas de madeira, fofocariam entre eles e ressonariam satisfeitos pr\u00f3ximos do fogo t\u00e9pido da noite. O ganido dos cachorros amarrados junto \u00e0s cercas pareciam mais humanos que nunca naquela noite. Ao alvorecer Euc\u00e1 pulou de sua rede, incapaz de, com seu desgosto, continuar deitado por mais tempo.<\/p>\n<p>Com os \u00faltimos raios de uma lua que se ocultava, ele se introduziu furtivamente por uma clareira at\u00e9 um monte de palha atr\u00e1s de um rancho de folhas constru\u00eddo fora da aldeia. Euc\u00e1 esquadrinhou cuidadosamente o local ao seu redor at\u00e9 que achou algo que procurava. Pegando-o, ent\u00e3o, correu para a cabana-maternidade. Pela luz opaca da fogueira viu Tumic\u00e1 dormindo pesadaemnte. Euc\u00e1 fixou nele os olhos longamente, furioso em tudo o que veio para fora foi um solu\u00e7o, mas isso foi suficiente para liberar um fluxo de palabras e depois uma torrente de gritos de dor:<\/p>\n<p>&#8211; Ele o matou! Ele o matou! Por que ele matou meu irm\u00e3ozinho? \u2013 O rapaz vociferou sua acusa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o diretamente ao seu padrasto, mas todos sabiam o que aquele gesto ousado e as palavras cortantes significavam. Um menino n\u00e3o ousaria ser mais direto.<\/p>\n<p>Tumic\u00e1 acordou num instante. Sentou-se, revirou-se em sua rede balan\u00e7ando os p\u00e9s para fora. Esfregando os olhos, percebeu que estivera dormindo, mas na luz fraca viu Euc\u00e1 segurando nos bra\u00e7os seu irm\u00e3o morto.<\/p>\n<p>&#8211; Guicha! (Droga!) \u2013 ele praguejou, cuspindo no ch\u00e3o com repugn\u00e2ncia. \u2013 Por que voc\u00ea trouxe esse morto aqui?<\/p>\n<p>&#8211; Ele o matou! \u2013 repetiu Euc\u00e1.<\/p>\n<p>Na rede mais baixa, a m\u00e3e insone, que em sil\u00eancio vigiava, e tinha visto seu filho entrar, sentiu que chegara a hora de falar.<\/p>\n<p>&#8211; Meu filho gostaria de ter um irm\u00e3o.<\/p>\n<p>Com um movimento r\u00e1pido, Tumic\u00e1 pulou de sua rede e arrebatou o corpo frio dos bra\u00e7os de Euc\u00e1.<\/p>\n<p>&#8211; Ele quer um irm\u00e3o? \u2013 perguntou enraivecido. \u2013 Deixe que ele tome uma sucuri por irm\u00e3o e que ela o abrace! Eu enterrarei esta coisinha. Ent\u00e3o ele ter\u00e1 um irm\u00e3o debaixo do lixo.<br \/>\nTumic\u00e1 puxou uma grande faca do teto e saiu com indiferen\u00e7a a fim de cavar uma sepultura.<br \/>\nEuc\u00e1 voltou lentamente para a casa grande. Aqueles que conversavam agora estavams sonolentos; as flautas silenciaram. Os cachorros da aldeia ainda rosnavam e ganiam quando as pulgas os picavam. Euc\u00e1 subiu em sua rede.<\/p>\n<p>J\u00e1 despontava a aurora antes que o sono fechasse seu olhos em l\u00e1grimas.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Antes de alcan\u00e7ar a clareira, (Euc\u00e1) ouviu o latido dos cahorros em coro, dizendo-lhe que a aldeia estava acordada.<\/p>\n<p>Passando rapidamente pela clareira da aldeia, viu outro sinal de atividade matutina. Da casa grande e redonda com teto c\u00f4nico, a fuma\u00e7a de muitas fogueiras preparando comida pairava opressivamente sobre a morada r\u00fastic e sem janelas. Euc\u00e1 correu em dire\u00e7\u00e3o a sua simples e sombria abertura, contornando as v\u00edsceras de um porco-do-mato que premaneciam amontoadas, deixadas por algu\u00e9m que as cortara no dia anterior e que agora estavam cobertas de moscas e formigas carn\u00edvoras. Seus p\u00e9s descal\u00e7os endurecidos n\u00e3o sentiram os cacos de cer\u00e2mica e de cuias de caba\u00e7a quebradas. Ele mal notara os homens sentados em seus banquinhos lavrados, penteando seus cabelos longos at\u00e9 a cintura ou amarrando-os como caudas ou pintando de vermelho desenhos em suas faces com \u00f3leo e semtne de urucum, e fazendo seu contorno com fuligem. Euc\u00e1 se esquivou de duas ou tr\u00eas mulheres que passaram correndo pela clareira com potes de bebida de mandioca ou encurvadas com lenha nas costas \u2013 muito ocupadas para terem cuidado com sua apar\u00eancia, sen\u00e3o o de prender suas tangas com pequenas mi\u00e7angas coloridas. Uma delas tinha puxado seu cabelo para tr\u00e1s num coque; as outras deixaram os seus soltos e desalinhados.<\/p>\n<p>Quando Euc\u00e1 se aproximou da casa grande, seus olhos dardejaram na cabana-maternidade na orla da clareira. Ele podia perceber as imagens sombrias das pessoas sob o abrigo, mas n\u00e3o o que elas estavam fazendo. Um grito repentino lhe indicou, ent\u00e3o, que ele chegara a tempo.<\/p>\n<p>&#8211; Achi! (Grande Irm\u00e3!) \u2013 gritou Euc\u00e1 em p\u00e2nico. Uma mulher mais velha enfiou a cabe\u00e7a pela porta de entrada e o rapaz deixando cair o peixe diante de seus olhos arregalados, correu para a cabana.<\/p>\n<p>Um choro alto! O nen\u00ea tinha nascido. Seria seu padastro aquele homem encurvado sobre a pequenina figura no ch\u00e3o? Estaria ele prestes a golpe\u00e1-la ou j\u00e1 teria desferido o golpe fatal? Estaria Tumic\u00e1 at\u00e9 agora olhando para a obra maligna de suas m\u00e3os? Como Euc\u00e1 gostaria de ter vindo mais r\u00e1pido!<\/p>\n<p>O choro se ouviu outra vez \u2013 a crian\u00e7a n\u00e3o havia recebido ainda nenhum golpe. Se pelo menos o beb\u00ea continuasse chorando&#8230;<\/p>\n<p>Euc\u00e1 se deteve um pouco na entrada da cabana, com seus olhos observando a cena sob o teto de folhas. Ele viu sua m\u00e3e, ainda tr\u00eamula pela prova penos, agarrando o tran\u00e7ado de madeira no qual se agarrara, desesperada ao dar \u00e0 luz. Amparando-a esteve a velha vov\u00f5 da aldeia. Euc\u00e1notou a poucos passos deles uma garotinha, a sua irm\u00e3, e ao lado dela Tumic\u00e1, que delicado se inclinava para a frente, parecendo enlevado por alguma coisa que estava aos p\u00e9s de sua mulher. Euc\u00e1 acompanhou sua contempla\u00e7\u00e3o, e diante de sua m\u00e3e estava deitado um menino rosado, dando pontap\u00e9s e chorando sobre as folhas de bananeiras manchadas de vermelho.<br \/>\nEuc\u00e1 tinha um irm\u00e3o! Era um belo menino, Euc\u00e1 pode ver, apesar da quantidade de sangue que cobria a crian\u00e7a. O dente afiado do porco-do-mato estava no ch\u00e3o por perto, mas ningu\u00e9m o usara ainda para cortar o cord\u00e3o umbilida. O beb\u00ea n\u00e3o tinha sido levantado do ch\u00e3o. Euc\u00e1 sabia que ele continuava sobre a ame\u00e7a da vontade assassina de Tumic\u00e1.<\/p>\n<p>Ele olhou rapidamente para sua m\u00e3e, cujos olhos estavam fechados de dor, e para sua irm\u00e3 que permanecia im\u00f3vel, olhando diretamente para o beb\u00ea. A velha vovozinha olhou fixamente para o beb\u00ea, murmurando com \u00f3dio, mas n\u00e3o se moveu. Euc\u00e1 n\u00e3o precisava olhar outra vez para Tumic\u00e1 a fim de saber que por causa dele ningu\u00e9m se movia para levantar o beb\u00ea. Euc\u00e1 sabia do \u00f3dio que aquele rosto exprimia sem ter de fit\u00e1-lo novamente.<\/p>\n<p>&#8211; Eu matarei a coisinha, murmurou Tumic\u00e1 para ningu\u00e9m em particular, ficando furioso. H\u00e1 muitos de n\u00f3s nesta aldeia. O povo anda comentado e dizendo: \u201cOlhem para o velho Tumic\u00e1. Ele est\u00e1 proliferando como a castanha do Par\u00e1\u201d. Coment\u00e1rios como este soam mal em meus ouvidos..<br \/>\nEnt\u00e3o Tumic\u00e1 n\u00e3o se importava com o que o povo pensava e dizia? Esse sil\u00eancio soturno importava e eles os odiava por isso.<\/p>\n<p>A m\u00e3e de Euc\u00e1 abriu os olhos e olhou para Tumic\u00e1. A irm\u00e3 de Euc\u00e1 tamb\u00e9m voltou-se para vigi\u00e1-lo enquanto ele se enfurecia. Mas os olhos de Euc\u00e1 eram s\u00f3 para seu irm\u00e3o rec\u00e9m-nascido e seus ouvidos somente para o choro iminente do beb\u00ea. A cena diante dele \u2013 o nen\u00ea molhado e desamparado \u2013 nadava loucamente em suas l\u00e1grimas. Uma vez Euc\u00e1 fora atirado de uma canoa contra as \u00e1guas agitadas, sem saber nem onde estava, se perto da superf\u00edcio ou no fundo do rio. Ele sentia o mesmo agora. Por que eles n\u00e3o levantavam logo o beb\u00ea do ch\u00e3o?<\/p>\n<p>Quem poderia proteger seu irm\u00e3ozinho? Ele podia \u2013 mas um menino n\u00e3o levantava beb\u00eas do ch\u00e3o para salv\u00e1-los. Havia, entretando, uma coisa que ele podia fazer: Euc\u00e1 podia proteger o corpo de seu irm\u00e3o da pancada que sabia estar prestes a acontecer. Com um pulo repentino e r\u00e1pido como sua armadilha para peixe quando a isca era mordida. Euc\u00e1 colocou-se adiante de seu padastro arengueiro e a crian\u00e7a. Euc\u00e1 caiu sobre seus joelhos e colocou suas m\u00e3os na pequenina face. Espantado com essa ousadia, Tumic\u00e1 interrompeu seu palavr\u00f3rio afetado. Euc\u00e1encostou o peito nu naquela pele cor-de-rosa. Ela estava morna, bem morna, e em nada parecida com o corpo frio e pegajoso que ele tinha aninhado em seus bra\u00e7os um ano antes. Recuando para contemplar seu irm\u00e3o, deixou cair uma l\u00e1grima no pequeno peito. O choro do beb\u00ea parou por um instante. No breve sil\u00eancio Euc\u00e1 sorriu para o seu irm\u00e3o, e enquanto o fazia, sua boca aparou e experimento uma l\u00e1grima. Ele olhou para sua m\u00e3e, todo seu corpo tremia com solu\u00e7os.<\/p>\n<p>&#8211; M\u00e3e, eu quero meu irm\u00e3o! N\u00e3o quero que ele morra!<\/p>\n<p>Seus olhos suplicavam o que ele n\u00e3o ousava dizer: \u201cN\u00e3o posso levant\u00e1-lo do ch\u00e3o?\u201d<\/p>\n<p>Tumic\u00e1 continuava im\u00f3vel, meio agachado e congelado pela aud\u00e1cia de Euc\u00e1. Quando se moveu, furioso, deu passos largos em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 dupla no ch\u00e3o e encurvou-se sobre eles. Tumic\u00e1 levantou seus bra\u00e7os, apertando seus punhos.<\/p>\n<p>&#8211; Voc\u00ea n\u00e3o quer que ele morra&#8230; \u2013 disse imitando Euc\u00e1. Os l\u00e1bios de Tumic\u00e1 mal podiam formar as palavras que vinham de sua garganta. \u2013 Acaricie-o! Acaricie-o o quanto puder! Voc\u00ea n\u00e3o o ter\u00e1 por muito tempo. Vou matar essa coisa insignificante! \u2013 sua voz se elevou para gritos nas \u00faltimas palavras. Os gritos loucos continuaram por toda a aldeia e pareciam pairar no ar como o vapor da manh\u00e3. Um homem levando seu cesto de penas e tinta \u00e0 casa grande, para proteg\u00ea-lo da chuva iminente, jogou-o \u00e0 porta, contraindo sua face em estado de choque. Mulheres que preparavam mandioca para fazer beiju deixaram cair seus ralos e de soslaio olharam para a cabana. Na casa-maternidade a vovozinha, ainda ajudando a m\u00e3e cansada, acenou com o punho amea\u00e7ador:<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o mate esta crian\u00e7a!<\/p>\n<p>Euc\u00e1 inclinou-se mais para a pequenina figura. Se fosse desferido um golpe para mat\u00e1-la, Tumic\u00e1, quase a uma s\u00f3 voz. Levante-o do ch\u00e3o! \u2013 De alguma forma eles tinham perdido o medo dele.<\/p>\n<p>Tumic\u00e1 permaneceu em p\u00e9, desafiante. Ele olhava para um, depois para outro. Euc\u00e1 levantou sua cabe\u00e7a tamb\u00e9m para olhar. Abaixariam eles os olhos sob o olhar duro de seu padrato? Tornariam todos a sair um por um, como fizeram no ano passado, com medo de Tumic\u00e1? Euc\u00e1 esperou um tempo sem fim pela resposta.<\/p>\n<p>Mas o sol n\u00e3o caminhou uma largura da m\u00e3o, depois de ter passado a chuva, para que Tumic\u00e1 pudesse examinar uma d\u00fazia de pares de olhos fixos nele, inflamados como fogo, e uma d\u00fazia de rostos determinados para que ele n\u00e3o matasse o filho.<\/p>\n<p>Foi Tumic\u00e1 que, derrotado, abaixou a cabe\u00e7a. Ele estendeu seu punho e com um violento murro deixou Euc\u00e1 de bru\u00e7os. Hesitante outra vez, por um momento, abrangeu com seus olhos todos os rostos em sil\u00eancio e viu que n\u00e3o se haviam abrandado. Tumic\u00e1 abaixou-se levantou o nen\u00ea do ch\u00e3o e empurrou-o para a vovozinha. Depois caminhou a passos largos ao lado da cabana e enquanto andava falou com desprezo a Euc\u00e1:<\/p>\n<p>&#8211; Se eu estivesse l\u00e1 no dia em que voc\u00ea nasceu, eu o teria matado. Voc\u00ea n\u00e3o seria hoje assim carinhoso.<\/p>\n<p>Uma mulher no meio do povo pegou o dente afiado da mand\u00edbula do porco e cortou o cord\u00e3o umbilica do nen\u00ea. A irm\u00e3zinha de Euc\u00e1 tirou um peda\u00e7o fino de sua saia e amarrou o toco do umbigo. Ela pegou o beb\u00ea da vov\u00f3 para lav\u00e1-lo; depois o devolveu e ajudou a m\u00e3e a ir para a rede. A m\u00e3e apertou o nen\u00ea em seu seio.<\/p>\n<p>Somente dois ou tr\u00eas uai-uais permaneceram na cabana. Os outros sa\u00edram em fila depois de Tumic\u00e1 para falar de sua maldade. A m\u00e3e de Euc\u00e1 disse a vov\u00f3.<\/p>\n<p>&#8211; Precisamos furar as orelhas do beb\u00ea e amarrar as faixas nas pernas.<\/p>\n<p>A Euc\u00e1 ela disse:<\/p>\n<p>&#8211; Chamaremos o menino Iacut\u00e1, sucessor do nosso tio que morreu.<\/p>\n<p>Euc\u00e1, de perpente uma crian\u00e7a, outra vez, come\u00e7ou a chorar&#8230;<\/p>\n<p>&#8211; \u201cBaixinho\u201d &#8211; continuou sua m\u00e3e usando a express\u00e3o da mair terna afei\u00e7\u00e3o para uma crian\u00e7a \u2013 agora voc\u00ea tem um irm\u00e3o.<\/p>\n<p>Ele ser\u00e1 um excelente rapaz, se n\u00e3o for destru\u00eddo pelos maus esp\u00edritos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Paj\u00e9 de Cristo, de Homer E. Dowly, Ed. SEPAL, \u00e9 um precioso registro da cultura e da vis\u00e3o de mundo dos uai-uai, tribo que habita a densa floresta amaz\u00f4nica. Logo no primeiro cap\u00edtulo o livro confronta os leitores com o relato de um infantic\u00eddio. 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