{"id":1059,"date":"2006-03-04T22:12:00","date_gmt":"2006-03-05T01:12:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.atini.org.br\/infanticdio-nos-yanomami\/"},"modified":"2018-12-15T20:12:49","modified_gmt":"2018-12-15T23:12:49","slug":"infanticdio-nos-yanomami","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.atini.org.br\/en\/infanticdio-nos-yanomami\/","title":{"rendered":"Infantic\u00eddio entre os Yanomami"},"content":{"rendered":"<p><strong>Infantic\u00eddio nos Yanomami<\/strong><br \/>\n98 crian\u00e7as v\u00edtimas de infantic\u00eddio em 2004<br \/>\nSim, n\u00f3s temos crian\u00e7as ind\u00edgenas morrendo por desnutri\u00e7\u00e3o em Roraima. E se a essa causa, for considerado o p\u00e9ssimo h\u00e1bito das \u00edndias ianom\u00e2mi de matarem seus filhos, caso o anterior ainda esteja sendo amamentado, os n\u00fameros indicam que estamos diante de uma trag\u00e9dia.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Segundo o m\u00e9dico Marcos Pelegrini, do Distrito Sanit\u00e1rio Yanomami (DSY), somente no ano passado morreram 104 crian\u00e7as de zero a nove anos de idade. Dessas, seis perderam a vida por desnutri\u00e7\u00e3o e 98 foram mortas pelas m\u00e3es.<\/p>\n<p>Essa trag\u00e9dia humana que acontece entre os ianom\u00e2mi chama a aten\u00e7\u00e3o dentre outras coisas, para dois fatos da maior relev\u00e2ncia na pol\u00edtica indigenista brasileira, cuja vis\u00e3o integracionista criada por Rondon no S\u00e9culo passado, vem sendo jogada no lixo da hist\u00f3ria nos \u00faltimos anos pelo governo brasileiro, depois da chamada democratiza\u00e7\u00e3o. A primeira constata\u00e7\u00e3o \u00e9 de que os \u00edndios brasileiros v\u00eam sendo usados como mero biombo para a defesa de interesses internacionais sobre a Amaz\u00f4nia e a segunda \u00e9 a de que, o estado brasileiro vem cuidando mal dos ind\u00edgenas exatamente para que seja criada a convic\u00e7\u00e3o de que \u00e9 incapaz, para desempenhar esse papel.<\/p>\n<p>Quem n\u00e3o se lembra do banzeiro criado pela fot\u00f3grafa su\u00ed\u00e7a Cl\u00e1udia Anduj\u00e1 e sua Comiss\u00e3o Pr\u00f3-Cria\u00e7\u00e3o do Parque Yanomami \u2013CCPY, nos anos 80 e 90 do s\u00e9culo passado, antes de Collor de Mello criar aquela reserva? O assunto varava o mundo, com resson\u00e2ncia especialmente em f\u00f3runs europeus, na OEA e na ONU. Pois bem, criada a imensa reserva na fronteira brasileira\/venezuelana, os ianom\u00e2mi foram deixados de lado, morrendo a mingua, enquanto Anduj\u00e1 percorre ricos sal\u00f5es europeus e americanos expondo suas fotos valios\u00edssimas. \u00c9 claro, depois da reserva ianom\u00e2mi que emenda com a S\u00e3o Marcos, o interesse agora \u00e9 a demarca\u00e7\u00e3o da Raposa\/Serra do Sol, que juntas cobrem a quase totalidade da linha de fronteira entre Brasil\/Venezuela\/Guiana. Demarcadas as reservas, o passo seguinte tem sido a forma deliberada dos agentes governamentais brasileiros, principalmente nos governos FHC e de Lula, de se mostrarem absolutamente omissos e incompetentes no apoio \u00e0s comunidades que lhes s\u00e3o tuteladas, por for\u00e7a da Constitui\u00e7\u00e3o Federal. Assim, esperam fornecer muni\u00e7\u00e3o para que se firme internacionalmente a convic\u00e7\u00e3o de que o Brasil n\u00e3o sabe cuidar de seus \u00edndios e florestas, restando necess\u00e1ria a autodetermina\u00e7\u00e3o desses povos, e a administra\u00e7\u00e3o compartilhada da Amaz\u00f4nia por organismos internacionais, como pediu cinicamente aquele franc\u00eas, que pretende presidir a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio. \u00c9 tudo muito elementar, diria Holmes ao fiel Watson.<\/p>\n<p><strong>35 beb\u00eas mortos pela m\u00e3es<br \/>\n<\/strong>Yanomami na Imprensa<br \/>\nData: 10 &#8211; Mar\u00e7o &#8211; 2005<br \/>\nTitulo: Infantic\u00eddio \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o milenar dos Yanomami<br \/>\nFonte: Folha de Boa Vista<\/p>\n<p>As \u00edndias yanomami mataram 35 beb\u00eas indesejados no ano passado, logo ap\u00f3s o parto. O infantic\u00eddio \u00e9 a principal causa de morte entre as crian\u00e7as com menos de um ano. O que pode parecer uma barb\u00e1rie aos olhos da sociedade n\u00e3o-\u00edndia n\u00e3o passa de um tra\u00e7o cultural desse povo, que \u00e9 considerado o mais \u201cprimitivo\u201d do mundo.<\/p>\n<p>O alem\u00e3o Erwin Frank estuda as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas da Am\u00e9rica h\u00e1 30 anos. Professor da Universidade Federal de Roraima e doutor em Antropologia, ele est\u00e1 h\u00e1 dez anos pesquisando os \u00edndios da Amaz\u00f4nia, sobretudo os Yanomami. Em entrevista \u00e0 Folha, disse ontem que o infantic\u00eddio \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o bastante arraigada na cultura Yanomami.\u201cIsso expressa a autonomia da mulher em decidir pela vida ou a morte do filho e funciona como uma forma de sele\u00e7\u00e3o para as malforma\u00e7\u00f5es e para o sexo das crian\u00e7as\u201d, esclareceu. Segundo ele, a \u00edndia se isola do grupo e entra na mata quando sente que vai dar \u00e0 luz. Ali, sozinha, ela decide o destino do filho por diversas raz\u00f5es, sem a interfer\u00eancia de nenhum outro membro da comunidade, nem mesmo o marido. Ela cava um buraco no ch\u00e3o, coloca algumas folhas e tem o filho de c\u00f3coras. Um dos m\u00e9todos para matar a crian\u00e7a \u00e9 asfixi\u00e1-lo com folhas.<\/p>\n<p>Os estudos do doutor Erwin conclu\u00edram que as \u00edndias matam os filhos por qualquer malforma\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a ou se o sexo do beb\u00ea n\u00e3o corresponde ao esperado. \u201cOs yanonami, principalmente os grupos mais afastados, preferem que o primeiro filho seja homem. Ent\u00e3o a mulher comete o infantic\u00eddio para n\u00e3o esperar tanto tempo para engravidar novamente\u201d, disse. Isso explica a quase inexist\u00eancia de malforma\u00e7\u00f5es cong\u00eanitas, deformidades e anomalias cromoss\u00f4micas como a S\u00edndrome de Down entre os Yanomami. Em 2003, por exemplo, o DSY n\u00e3o registrou nenhum caso. J\u00e1 em 2004, a estat\u00edstica apontou uma \u00fanica malforma\u00e7\u00e3o cong\u00eanita. Outros estudiosos levantam a hip\u00f3tese de que a m\u00e3e mataria o filho quando ainda tem outra crian\u00e7a de colo, para minimizar seu trabalho pesado, que s\u00f3 pioraria com duas crian\u00e7as para carregar. O professor ressalta, no entanto, que em geral as \u00edndias amamentam os filhos por tr\u00eas anos e meio, per\u00edodo que n\u00e3o voltam a engravidar, mas confirma que at\u00e9 essa idade m\u00e3e e filho s\u00e3o insepar\u00e1veis. Eles vivem grudados a seu corpo, por uma tip\u00f3ia. Na opini\u00e3o do antrop\u00f3logo, a nossa sociedade n\u00e3o deve perceber o infantic\u00eddio como uma barb\u00e1rie contra criancinhas indefesas. \u201cEsse \u00e9 o modo de vida deles e n\u00e3o cabe a n\u00f3s julg\u00e1-los com base nos nossos valores. A diferen\u00e7a entre as culturas deve ser respeitada\u201d, defende.<\/p>\n<p>Ele acrescentou que as entidades que prestam servi\u00e7os aos ind\u00edgenas tamb\u00e9m n\u00e3o devem interferir nessa tradi\u00e7\u00e3o, principalmente porque o infantic\u00eddio n\u00e3o prejudica o crescimento populacional. Hoje, a taxa de crescimento demogr\u00e1fico dos yanomami \u00e9 de 5%. \u201cOs estudos demogr\u00e1ficos apontam que o infantic\u00eddio tem pouca influ\u00eancia sobre a capacidade das popula\u00e7\u00f5es se reproduzirem e, no momento, n\u00e3o vejo nenhum perigo de extin\u00e7\u00e3o do grupo por causa disso\u201d, ressaltou. O diretor t\u00e9cnico do DSY, Marcos Pelegrini, concorda que o infantic\u00eddio n\u00e3o oferece riscos para a popula\u00e7\u00e3o yanomami. \u201cO controle do crescimento populacional pode at\u00e9 ser uma das raz\u00f5es do infantic\u00eddio\u201d, comentou.<\/p>\n<p>Segundo ele, o trabalho da Funda\u00e7\u00e3o Nacional de Sa\u00fade (Funasa) e das institui\u00e7\u00f5es conveniadas n\u00e3o pretende interferir diretamente no infantic\u00eddio. \u201cMas n\u00f3s j\u00e1 registramos uma demanda para o uso de m\u00e9todos contraceptivos e esse assunto est\u00e1 sendo tratado com as lideran\u00e7as das comunidades. Vejo como um programa priorit\u00e1rio, porque \u00e9 nosso dever oferecer a elas os m\u00e9todos de planejamento familiar como todo brasileiro tem\u201d. Em 2004, nasceram \u2013 e viveram \u2013 688 crian\u00e7as na \u00e1rea Yanomami, sendo 357 homens e 324 mulheres. (L.G.)<\/p>\n<p><strong>68 crian\u00e7as v\u00edtimas de infantic\u00eddio em 2003<\/strong><br \/>\nYanomami na Imprensa<br \/>\nData: 26 &#8211; Maio &#8211; 2004<br \/>\nTitulo: Conselho Yanomami se re\u00fane para aprovar Plano Distrital de Sa\u00fade<br \/>\nFonte: Brasil Norte<\/p>\n<p>O conselho distrital de sa\u00fade ind\u00edgena Yanomami, Condisi-Yanomami, come\u00e7ou, no audit\u00f3rio do hotel Uiramut\u00e3, em Boa Vista, sua V reuni\u00e3o. Os conselheiros dever\u00e3o aprovar at\u00e9 amanh\u00e3 o Plano Distrital de Sa\u00fade 2003\/2004. O quadro de metas e indicadores do plano distrital englobam a\u00e7\u00f5es em 15 \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o: sa\u00fade da crian\u00e7a, imuniza\u00e7\u00e3o, vigil\u00e2ncia nutricional, sa\u00fade da mulher, preven\u00e7\u00e3o e controle de doen\u00e7as sexualmente transmiss\u00edveis, controle da tuberculose, controle de verminoses, controle de endemias (mal\u00e1ria, oncocercose, acidente of\u00eddico, leishmaniose, tracoma, tunga penetrans, hepatites, toxoplasmose, mansonelose), preven\u00e7\u00e3o e controle de doen\u00e7as cr\u00f4nico-degenarativas, sa\u00fade bucal, sa\u00fade mental, saneamento b\u00e1sico, rede de servi\u00e7os, sistemas de informa\u00e7\u00e3o, capacita\u00e7\u00e3o de recursos humanos, controle social e educa\u00e7\u00e3o em sa\u00fade.<\/p>\n<p>\u00c1reas de atua\u00e7\u00e3o<br \/>\nAs \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o foram definidas atrav\u00e9s da realiza\u00e7\u00e3o de duas oficinas de trabalho realizadas pelo DSEI-Yanomami. Para a chefa do distrito uma das principais preocupa\u00e7\u00f5es das equipes de sa\u00fade \u00e9 reduzir o n\u00famero de infantic\u00eddios que elevaram o coeficiente de mortalidade infantil de 39,56 para 121 no ano de 2003, ao todo foram 68 crian\u00e7as v\u00edtimas de infantic\u00eddio no ano passado. Os \u00edndices esperados para cobertura vacinal no plano distrital prev\u00eaem homogeneidade de tetra e triviral de 95%.Outro \u00edndice apresentado como meta \u00e9 a notifica\u00e7\u00e3o de nenhum caso de doen\u00e7as imunoprevin\u00edveis. Para o programa de sa\u00fade da mulher foram definidos \u00edndices de acompanhamento de 90% das gestantes com pr\u00e9-natal e examinar 35% da popula\u00e7\u00e3o alvo do desenvolvimento de c\u00e2ncer de c\u00e9rvico-uterino. Mal\u00e1riaA mal\u00e1ria foi diagnosticada durante anos pelos servi\u00e7os de epidemiologia como o agrav\u00e0 a sa\u00fade mais preocupante da terra ind\u00edgena Yanomami. No ano de 2003 n\u00e3o foram registrados \u00f3bitos por mal\u00e1ria. Reduziu-se o \u00edndice parasit\u00e1rio anual, IPA, a 52,12%, em rela\u00e7\u00e3o a \u00edndices que chegaram a alcan\u00e7ar indicadores que ultrapassavam os 200%. Desta forma, foi apresentada meta de manuten\u00e7\u00e3o de nenhum \u00f3bito por mal\u00e1ria e redu\u00e7\u00e3o do IPA a \u00edndices menores que 50%.<\/p>\n<p>A fragmenta\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es e procedimentos foi apontada como um dos problemas nos servi\u00e7os de recupera\u00e7\u00e3o, promo\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o da sa\u00fade ofertados na \u00e1rea Yanomami. Est\u00e3o sendo definidas as metas que prev\u00eaem a constitui\u00e7\u00e3o de protocolos de a\u00e7\u00e3o para 100% das rotinas e acompanhamento dos servi\u00e7os em 100% dos p\u00f3los-base. O fortalecimento do controle social tamb\u00e9m ser\u00e1 um dos pontos que os conselheiros estar\u00e3o debatendo nos dois dias. O objetivo \u00e9 fortalecer a atua\u00e7\u00e3o dos conselhos locais e distrital foram definidas metas que apontam para realiza\u00e7\u00e3o de dois cursos de capacita\u00e7\u00e3o de conselheiros e a produ\u00e7\u00e3o de material did\u00e1tico e documentos gerados pelo Condisi nas l\u00ednguas dos conselheiros.<\/p>\n<p>Yanomami na Imprensa<br \/>\nData: 11 &#8211; Mar\u00e7o &#8211; 2005<br \/>\nTitulo: Parab\u00f3licas<br \/>\nFonte: Folha de Boa Vista<br \/>\nFoto: NatGeo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Infantic\u00eddio nos Yanomami 98 crian\u00e7as v\u00edtimas de infantic\u00eddio em 2004 Sim, n\u00f3s temos crian\u00e7as ind\u00edgenas morrendo por desnutri\u00e7\u00e3o em Roraima. 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