{"id":649,"date":"2011-08-12T02:30:00","date_gmt":"2011-08-12T05:30:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.atini.org.br\/2011_08_01_archive-html2423796252839840796\/"},"modified":"2019-01-07T12:44:17","modified_gmt":"2019-01-07T15:44:17","slug":"folha-de-sao-paulo-reconhece-importancia-social-do-trabalho-da-atini","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.atini.org.br\/en\/folha-de-sao-paulo-reconhece-importancia-social-do-trabalho-da-atini\/","title":{"rendered":"FOLHA DE S\u00c3O PAULO RECONHECE IMPORT\u00c2NCIA SOCIAL DO TRABALHO DA ATINI"},"content":{"rendered":"<p><strong>Funai pressiona e C\u00e2mara esvazia projeto de combate ao infantic\u00eddio<\/strong><\/p>\n<p>BERNARDO MELLO FRANCO, ENVIADO ESPECIAL DA FOLHA A BRAS\u00cdLIA<\/p>\n<p>Sob press\u00e3o do governo, a C\u00e2mara esvaziou um projeto de lei que previa levar ao banco dos r\u00e9us agentes de sa\u00fade e da Funai (Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio) considerados &#8220;omissos&#8221; em casos de infantic\u00eddio em aldeias. A pr\u00e1tica de enterrar crian\u00e7as vivas, ou abandon\u00e1-las na floresta, persistiria at\u00e9 hoje em cerca de 20 etnias brasileiras. Os beb\u00eas s\u00e3o escolhidos para morrer por diversos motivos, desde nascer com defici\u00eancia f\u00edsica a ser g\u00eameo ou filho de m\u00e3e solteira. A Funai se nega a comentar o assunto. Nos bastidores, operou para enfraquecer o texto com o argumento de que ele criaria uma interfer\u00eancia indevida e refor\u00e7aria o preconceito contra os \u00edndios.\u00a0Do outro lado da discuss\u00e3o, ONGs e deputados evang\u00e9licos acusam o governo de cruzar os bra\u00e7os diante da morte de crian\u00e7as e defendem que o Estado seja obrigado por lei a proteg\u00ea-las.\u00a0A pol\u00eamica chegou ao Congresso em 2007, quando o deputado Henrique Afonso (PV-AC) apresentou projeto que previa punir servidores que n\u00e3o tomem &#8220;medidas cab\u00edveis&#8221; para impedir o ritual.<\/p>\n<p>Eles responderiam por crime de omiss\u00e3o de socorro, cuja pena varia de multa a pris\u00e3o por at\u00e9 um ano. O texto ainda classificava o &#8220;homic\u00eddio de rec\u00e9m-nascidos&#8221; como uma &#8220;pr\u00e1tica nociva&#8221;.\u00a0Antrop\u00f3logos, indigenistas e assessores da Funai pressionaram a Comiss\u00e3o de Direitos Humanos da C\u00e2mara, que adiou a vota\u00e7\u00e3o da proposta por quatro anos.\u00a0Em junho, os deputados decidiram substitui-la por uma vers\u00e3o alternativa da relatora Janete Piet\u00e1 (PT-SP), que seguiu para a Comiss\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a e pode ser transformada em lei at\u00e9 o fim do ano.\u00a0O novo projeto elimina todos os pontos controversos e descarta a possibilidade de processar autoridades ou servidores pela morte de crian\u00e7as nas aldeias.\u00a0Em lugar de puni\u00e7\u00f5es, diz que o governo deve oferecer &#8220;oportunidades adequadas aos povos ind\u00edgenas de adquirir conhecimento sobre a sociedade em seu conjunto&#8221; em casos de infantic\u00eddio, estupro e maus-tratos.\u00a0&#8220;O texto ficou muito fraco. Vai permitir que o governo continue omisso diante dessas mortes&#8221;, diz M\u00e1rcia Suzuki, da ONG Atini, que acolhe m\u00e3es que fugiram de suas aldeias para proteger os filhos (leia texto abaixo). &#8220;As tradi\u00e7\u00f5es dos povos ind\u00edgenas devem ser respeitadas, mas o direito \u00e0 vida \u00e9 um valor universal e garantido pela Constitui\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma o deputado Henrique Afonso.<\/p>\n<p><strong>AUTONOMIA<\/strong><\/p>\n<p>Respons\u00e1vel pelas mudan\u00e7as, Janete Piet\u00e1 diz ter atuado em defesa da autonomia dos povos ind\u00edgenas.\u00a0&#8220;N\u00e3o precisamos de lei, e sim de convencimento. Em vez de penalizar, devemos conversar com as mulheres e fazer campanhas educativas&#8221;, afirma a deputada.\u00a0&#8220;A tradi\u00e7\u00e3o de sacrificar crian\u00e7as \u00e9 mantida por poucas comunidades. O Brasil tem mais de 200 povos ind\u00edgenas. Se isso ainda ocorrer em 20, s\u00e3o apenas 10%.&#8221;\u00a0O Conselho Indigenista Mission\u00e1rio, da CNBB (Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil), tamb\u00e9m pressionou contra o projeto original.\u00a0Segundo o secret\u00e1rio-adjunto do \u00f3rg\u00e3o, Saulo Feitosa, a pr\u00e1tica seria &#8220;residual&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Ningu\u00e9m defende o infantic\u00eddio, mas n\u00e3o podemos aceitar que vendam uma imagem de que todos os \u00edndios s\u00e3o selvagens e sacrificam suas crian\u00e7as.&#8221;\u00a0As autoridades evitam emitir posi\u00e7\u00e3o oficial ou mesmo divulgar dados sobre o infantic\u00eddio nas aldeias. A Funai informou que n\u00e3o se manifestaria e negou pedido de entrevista com o presidente M\u00e1rcio Meira.\u00a0A Secretaria Especial de Sa\u00fade Ind\u00edgena do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, criada em outubro de 2010, respondeu que o tema n\u00e3o cabe a ela e afirmou n\u00e3o ter nenhum levantamento sobre as causas da mortalidade infantil de \u00edndios.<\/p>\n<p>ONG ACOLHE INDIAS QUE FUGIRAM PARA SALVAR CRIAN\u00c7AS DO ENVIADO A BRAS\u00cdLIA<\/p>\n<p>Muwaji Suruwah\u00e1, 33, fala poucas palavras em portugu\u00eas e vive alheia \u00e0 discuss\u00e3o sobre o infantic\u00eddio em aldeias ind\u00edgenas. Mesmo assim, foi transformada em s\u00edmbolo da disputa que, h\u00e1 quatro anos, op\u00f5e evang\u00e9licos e governo no Congresso.\u00a0Chamado de lei Muwaji, o projeto que responsabiliza agentes p\u00fablicos pela morte de rec\u00e9m-nascidos \u00e9 inspirado na hist\u00f3ria dela e da filha Iganani, 8, que nasceu com paralisia cerebral.\u00a0Em 2005, a \u00edndia deixou sua tribo para evitar que a menina fosse sacrificada, como prev\u00ea a tradi\u00e7\u00e3o de sua comunidade.\u00a0Elas vivem hoje na sede da ONG Atini, nos arredores de Bras\u00edlia. A organiza\u00e7\u00e3o foi fundada por M\u00e1rcia Suzuki, uma mission\u00e1ria metodista que acusa o governo de neglig\u00eancia com a pr\u00e1tica.\u00a0&#8220;A Funai afirma que a interfer\u00eancia \u00e9 sempre negativa, mesmo que as crian\u00e7as estejam em risco. N\u00f3s acreditamos que respeitar os \u00edndios tamb\u00e9m significa respeitar e proteger a vida deles&#8221;, diz.<\/p>\n<p>A tese \u00e9 contestada pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Antropologia, que acusa os ativistas de repetir m\u00e9todos dos colonizadores portugueses. &#8220;Tirar \u00edndios de suas aldeias para cri\u00e1-los sob a \u00e9tica crist\u00e3 \u00e9 uma interfer\u00eancia violenta, n\u00e3o um projeto humanit\u00e1rio&#8221;, diz Jo\u00e3o Pacheco de Oliveira, dirigente da entidade e professor da UFRJ.\u00a0A Atini abriga 12 fam\u00edlias, que recebem mantimentos e cuidados m\u00e9dicos, e diz ser mantida por doa\u00e7\u00f5es. A ONG nega vincula\u00e7\u00e3o a igrejas, embora os evang\u00e9licos sejam maioria entre os volunt\u00e1rios. Em 2010, a Funai processou outra entidade evang\u00e9lica, a Jocum (Jovens Com Uma Miss\u00e3o), pela exibi\u00e7\u00e3o de um suposto document\u00e1rio sobre o infantic\u00eddio.\u00a0A Justi\u00e7a Federal determinou a retirada do v\u00eddeo do YouTube por entender que ele incitava o preconceito e causava dano \u00e0 imagem dos \u00edndios sem provar as mortes.<\/p>\n<p><strong>Frases<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>&#8220;As tradi\u00e7\u00f5es dos povos ind\u00edgenas devem ser respeitadas, mas o direito \u00e0 vida \u00e9 um valor universal e garantido pela Constitui\u00e7\u00e3o&#8221; HENRIQUE AFONSO,\u00a0 deputado pelo PV-AC<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>&#8220;N\u00e3o precisamos de lei, e sim de convencimento. Em vez de penalizar, devemos conversar com as mulheres e fazer campanhas educativas&#8221; JANETE PIET\u00c1, deputada pelo PT-SP<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>&#8220;O texto ficou fraco. Vai permitir que o governo continue omisso diante das mortes&#8221; M\u00c1RCIA SUZUKI, da ONG Atini<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Funai pressiona e C\u00e2mara esvazia projeto de combate ao infantic\u00eddio BERNARDO MELLO FRANCO, ENVIADO ESPECIAL DA FOLHA A BRAS\u00cdLIA Sob press\u00e3o do governo, a C\u00e2mara esvaziou um projeto de lei que previa levar ao banco dos r\u00e9us agentes de sa\u00fade e da Funai (Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio) considerados &#8220;omissos&#8221; em casos de infantic\u00eddio em aldeias. 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