{"id":659,"date":"2010-07-27T01:12:00","date_gmt":"2010-07-27T04:12:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.atini.org.br\/2010_07_01_archive-html3396718916617901266\/"},"modified":"2019-01-07T19:42:15","modified_gmt":"2019-01-07T22:42:15","slug":"marina-silva-potira-e-os-milagres-amazonicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.atini.org.br\/en\/marina-silva-potira-e-os-milagres-amazonicos\/","title":{"rendered":"MARINA SILVA, POTIRA E OS MILAGRES AMAZ\u00d4NICOS"},"content":{"rendered":"<p>Esta \u00e9 uma daqueles cenas que a gente custa a apagar da mem\u00f3ria. No meio de uma confer\u00eancia importante, de gente grande, eis que uma menininha linda e despachada se aproxima da ilustre preletora. Com toda desenvoltura entrega-lhe um colar ind\u00edgena, tasca-lhe um beijo estalado e posa sorridente para as fotos.<\/p>\n<p>A preletora ilustre chama-se Marina Silva. A indiazinha despachada ser\u00e1 chamada aqui de Potira.<\/p>\n<p>Quanto mist\u00e9rio, quanta dor, e quanta esperan\u00e7a este encontro evoca. As duas nasceram na floresta amaz\u00f4nica, as duas enfrentaram a dureza da vida na mata. As duas estavam destinadas a engrossar as fileiras de brasileiras exclu\u00eddas, an\u00f4nimas e invis\u00edveis.<\/p>\n<p>Marina nasceu filha de seringueiro, tomou muito banho de igarap\u00e9 e comeu pirarucu com farinha nas beiradas dos rios. Potira nasceu filha de \u00edndia solteira e por isso n\u00e3o chegou a comer nada, n\u00e3o tomou banho, nem lhe cortaram o cord\u00e3o umbilical.<\/p>\n<p>Marina ouvia as hist\u00f3rias do av\u00f4 enquanto espiava a chama fina da lamparina nas noites escuras da mata. Potira n\u00e3o ouviu nada, s\u00f3 o choro abafado da m\u00e3e, obrigada a abandon\u00e1-la na floresta por conta da sua solteirice.<\/p>\n<p>Marina imaginava o futuro enquanto se embalava na rede e sonhava um dia aprender as letras. Potira n\u00e3o teve rede, foi enrolada numas folhas de bananeira brava e largada perto de um toco de pau na beira da capoeira.<\/p>\n<p>Marina se vestia com camisa de manga comprida para se proteger dos carapan\u00e3s e dos marimbondos, enquanto seguia o pai pelas picadas estreitas do seringal. Potira n\u00e3o conseguiu se proteger das formigas que se aproximaram e come\u00e7aram a comer a placenta ainda ligada ao seu corpinho rec\u00e9m-nascido. Nem dos insetos que picaram suas pernas e seu rosto naquela noite comprida e chuvosa.<\/p>\n<p>Marina mudou seu destino quando desafiou a sorte &#8211; teve coragem de pedir ao pai que a deixasse sair para estudar na cidade grande. A esperan\u00e7a de Potira surgiu quando duas tias decidiram escond\u00ea-la numa ro\u00e7a velha e correr por 4 horas na mata at\u00e9 o acampamento dos mission\u00e1rios.<\/p>\n<p>Marina esperou at\u00e9 os 16 anos para conseguir decifrar as primeiras letras do alfabeto. Potira esperou 36 horas na mata at\u00e9 ser resgatada e salva da morte.<\/p>\n<p>Dois milagres, duas hist\u00f3rias de supera\u00e7\u00e3o, de desafio \u00e0s leis da probabilidade. Marina aprendeu a ler no Mobral, veio a ser professora, doutora, senadora, ministra. Hoje \u00e9 candidata a presid\u00eancia da rep\u00fablica. Potira foi adotada por uma professora paulistana casada com ga\u00facho, e ganhou duas irm\u00e3s rondonienses. \u00c9 a ca\u00e7ula e o xod\u00f3 da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>O encontro da foto aconteceu recentemente num grande evento p\u00fablico em Bras\u00edlia. Potira entregou a Marina Silva o colar em nome das crian\u00e7as ind\u00edgenas sobreviventes do infantic\u00eddio que s\u00e3o atendidas pela ATINI.<\/p>\n<p>Em seguida, Kakatsa Kamaiur\u00e1, secret\u00e1rio geral da organiza\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m sobrevivente, tomou o microfone e fez seu apelo. Queria saber de Marina se ela se comprometia a defender o direito das crian\u00e7as ind\u00edgenas em risco de infantic\u00eddio. Marina respondeu emocionada que toda crian\u00e7a tem direito \u00e0 vida e que ela priorizaria, em seu governo, os direitos dessas crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Potira saiu toda saltitante, rindo orgulhosa por ter tirado foto com uma mulher t\u00e3o importante. Crian\u00e7a \u00e9 crian\u00e7a e ponto final.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta \u00e9 uma daqueles cenas que a gente custa a apagar da mem\u00f3ria. No meio de uma confer\u00eancia importante, de gente grande, eis que uma menininha linda e despachada se aproxima da ilustre preletora. Com toda desenvoltura entrega-lhe um colar ind\u00edgena, tasca-lhe um beijo estalado e posa sorridente para as fotos. 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