{"id":663,"date":"2010-04-23T01:49:00","date_gmt":"2010-04-23T04:49:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.atini.org.br\/2010_04_01_archive-html5983173609706408976\/"},"modified":"2019-01-09T05:31:47","modified_gmt":"2019-01-09T08:31:47","slug":"documentario-de-sandra-terena-e-citado-em-plenaria-na-camara-dos-deputados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.atini.org.br\/en\/documentario-de-sandra-terena-e-citado-em-plenaria-na-camara-dos-deputados\/","title":{"rendered":"Document\u00e1rio de Sandra Terena \u00e9 citado em plen\u00e1ria na c\u00e2mara dos deputados"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;\"><\/div>\n<div>\n<div style=\"text-align: left;\">Ind\u00edgena Kamaiur\u00e1 que lutou muito e conseguiu salvar um de seus netos g\u00eameos da morte. Mas n\u00e3o conseguiu impedir que o outro fosse enterrado vivo.\u00a0 At\u00e9 hoje os pais da crian\u00e7as lamentam a morte do beb\u00ea.<\/div>\n<p><strong>Deputado paranaense usa o plen\u00e1rio para falar sobre filme de jornalista paranaense<\/strong><\/p>\n<p>A jornalista e documentarista paranaense Sandra Terena, uma das poucas jornalistas ind\u00edgenas do Brasil, saiu do anonimato com o document\u00e1rio \u201c<a href=\"https:\/\/www.atini.org.br\/quebrando-silencio\/\">Quebrando o Sil\u00eancio<\/a>\u201d. Finalizado em 2009 com recursos pr\u00f3prios, o filme j\u00e1 conferiu \u00e0 diretora dois pr\u00eamios e est\u00e1 despertando interesse pelo Brasil. O filme, que tem apoio da entidade brasiliense Atini \u2013 Voz Pela Vida em sua produ\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o, retrata a viv\u00eancia de algumas tribos em rela\u00e7\u00e3o ao infantic\u00eddio ind\u00edgena. Crian\u00e7as que s\u00e3o filhos de m\u00e3e solteira, g\u00eameos ou deficientes f\u00edsicos s\u00e3o sacrificadas em nome da cultura.<\/p>\n<p>No dia 19 de abril, dia do \u00edndio, o deputado federal \u00cdris Sim\u00f5es (PR-PR) usou a tribuna do Congresso Nacional para chamar a aten\u00e7\u00e3o dos deputados para a pr\u00e1tica de matar crian\u00e7as ind\u00edgenas. \u201cFui surpreendido, neste fim de semana, por uma carta que recebi da jornalista e ind\u00edgena Sandra Terena que relata a preocupa\u00e7\u00e3o sobre um document\u00e1rio que realizou e lan\u00e7ou em Bras\u00edlia no dia 31 de mar\u00e7o deste ano sobre o infantic\u00eddio\u201d. Em seu discurso, Sim\u00f5es pediu de forma veemente uma atitude da C\u00e2mara. \u201cA Comiss\u00e3o de Direitos Humanos, nos pr\u00f3ximos dias, vai fazer um debate sobre essa quest\u00e3o, mas \u00e9 latente que n\u00f3s temos que fazer alguma coisa\u201d, disse Sim\u00f5es.<\/p>\n<div style=\"text-align: left;\">No momento em que o deputado discursava na C\u00e2mara, uma equipe de jovens ind\u00edgenas de pelo menos tr\u00eas povos diferentes, distribu\u00eda um folder nos corredores do parlamento com a seguinte frase: \u201cAjude a enterrar uma crian\u00e7a ind\u00edgena\u201d. Junto com a entrega, eles colocavam terra nas m\u00e3os dos deputados. \u201cFoi emocionante. Durante a manifesta\u00e7\u00e3o muitos parlamentares manifestaram solidariedade a nossa luta e conquistamos muitos aliados\u201d, diz Damares Alves, conselheira da ong Atini \u2013 Voz pela Vida.<\/div>\n<p>A jornalista Sandra Terena, que estava em Belo Horizonte para participar de um programa ao vivo na Rede Minas de Comunica\u00e7\u00e3o, sobre o centen\u00e1rio do indigenismo no Brasil, enviou mensagens de solidariedade aos manifestantes. \u201cEste ano comemora-se cem anos de trabalhos com os povos ind\u00edgenas. N\u00f3s, \u00edndios, n\u00e3o queremos mais que decidam por n\u00f3s, n\u00e3o queremos mais ser integrados, como prev\u00ea o estatuto do \u00edndio. Temos autonomia para decidir o que \u00e9 melhor para n\u00f3s. E, nas entrevistas do filme Quebrando o Sil\u00eancio percebi que muitos dos meus parentes n\u00e3o querem mais matar as nossas crian\u00e7as\u201d, diz Sandra.<\/p>\n<p>O l\u00edder xinguano Kakatsa Kamaiur\u00e1 tamb\u00e9m emocionou parlamentares e assessores com sua fala. \u201cEi autoridades, voc\u00eas falam de n\u00f3s sem nos conhecer. Voc\u00eas decidem por n\u00f3s sem conhecer as nossas necessidades. Voc\u00eas nunca ca\u00e7aram comigo. N\u00e3o sabem o que o \u00edndio precisa. Ei deputados, deixa o \u00edndio falar, deixa a lideran\u00e7a kamaiur\u00e1 falar\u201d, disse.<\/p>\n<p>Devido \u00e0 repercuss\u00e3o deste tema, a Unicef, em 2009, abriu um edital para pesquisadores emitirem um relat\u00f3rio sobre a quest\u00e3o do infantic\u00eddio no Brasil. Quem est\u00e1 \u00e0 frente deste trabalho \u00e9 a antrop\u00f3loga Mariana de Holanda. Este trabalho \u00e9 contestado por organiza\u00e7\u00f5es indigenistas porque os ind\u00edos reivindiam ter voz ativa nessa quest\u00e3o e por isso a pesquisa realizada pela jornalista ind\u00edgena Sandra Terena, que resultou no filme Quebrando o Sil\u00eancio, deveria ter sido levada em considera\u00e7\u00e3o de forma p\u00fablica. Em um depoimento no portal Amaz\u00f4nia.org, Mariana diz que &#8220;uma crian\u00e7a ind\u00edgena quando nasce n\u00e3o \u00e9 uma pessoa. Ela passar\u00e1 por um longo processo de pessoaliza\u00e7\u00e3o, no qual as rela\u00e7\u00f5es que for estabelecendo ser\u00e3o fundamentais para que adquira um nome e, assim, o status de &#8216;pessoa&#8217;. Portanto, os rar\u00edssimos casos de neonatos que n\u00e3o s\u00e3o inseridos na vida social da comunidade n\u00e3o podem ser descritos e tratados como uma morte, pois n\u00e3o \u00e9. Infantic\u00eddio, ent\u00e3o, nunca&#8221;.<\/p>\n<p>No artigo:<a href=\"https:\/\/www.atini.org.br\/a-estranha-teoria-do-homicidio-sem-morte\/\"> A Estranha Teoria do Homic\u00eddio Sem Morte<\/a>, M\u00e1rcia Suzuki, conselheira da Atini, revela que alguns antrop\u00f3logos e mission\u00e1rios brasileiros est\u00e3o defendendo o indefens\u00e1vel. \u201cAtrav\u00e9s de trabalhos acad\u00eamicos revestidos em roupagem de toler\u00e2ncia cultural, eles est\u00e3o tentando disseminar uma teoria no m\u00ednimo racista\u201d. A teoria de que para certas sociedades humanas certas crian\u00e7as n\u00e3o precisariam ser enxergadas como seres humanos.<\/p>\n<p>Nestas sociedades, matar essas crian\u00e7as n\u00e3o envolveria morte, apenas interdi\u00e7\u00e3o de um processo de constru\u00e7\u00e3o de um ser humano. Mesmo que essa crian\u00e7a j\u00e1 tenha dois, cinco ou dez anos de idade. \u201cSomos contra esse posicionamento. A partir do momento em que as mulheres e lideran\u00e7as ind\u00edgenas se manifestaram a favor da vida \u00e9 obriga\u00e7\u00e3o do governo e sociedade prover meios para que essas crian\u00e7as possam sobreviver. Para que isso possa se tornar realidade \u00e9 preciso que o governo pense pol\u00edticas p\u00fablicas para atender essa quest\u00e3o. Sandra concorda. Para ela, essas pol\u00edticas devem vir das bases, das lideran\u00e7as tradicionais das aldeias.\u201d Sou a favor de uma ampla consulta p\u00fablica nas cinco regi\u00f5es do Brasil e de prefer\u00eancia nas aldeias. Chega de decidirem por n\u00f3s. Este \u00e9 um momento que o protagonismo deve ser ind\u00edgena\u201d, afirma.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ind\u00edgena Kamaiur\u00e1 que lutou muito e conseguiu salvar um de seus netos g\u00eameos da morte. 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