{"id":674,"date":"2009-11-14T13:06:00","date_gmt":"2009-11-14T16:06:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.atini.org.br\/2009_11_01_archive-html4824125388665494519\/"},"modified":"2019-01-09T04:39:18","modified_gmt":"2019-01-09T07:39:18","slug":"se-eu-voltar-para-a-aldeia-vou-ficar-tao-triste-que-vou-tomar-veneno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.atini.org.br\/en\/se-eu-voltar-para-a-aldeia-vou-ficar-tao-triste-que-vou-tomar-veneno\/","title":{"rendered":"&#8220;Se eu voltar para a aldeia vou ficar t\u00e3o triste que vou tomar veneno.&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>A ind\u00edgena Muwaji Suruwah\u00e1, atendida pela ATINI, recebeu uma visita inesperada nesta semana &#8211; uma comitiva formada por antrop\u00f3logos e agentes do CIMI e da FUNAI, que chegaram em dois carros na ch\u00e1cara da ATINI em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>O objetivo da comitiva era mostrar um v\u00eddeo gravado na aldeia suruwah\u00e1, no interior do Amazonas, no qual dois parentes pediam o retorno de Muwaji e de sua fam\u00edlia. A press\u00e3o emocional foi grande, mas Muwaji permaneceu firme em seu prop\u00f3sito. Depois de assistir a filmagem e ouvir os argumentos da equipe, Muwaji respondeu simplesmente:<\/p>\n<p>&#8220;Eu n\u00e3o vou voltar, vou ficar em Bras\u00edlia. Minha filha n\u00e3o anda ainda, voc\u00eas n\u00e3o est\u00e3o vendo? Se a FUNAI me levar de volta, minha tristeza vai ser t\u00e3o grande que eu vou tomar veneno. Eu vou ficar aqui e as crian\u00e7as v\u00e3o ficar aqui comigo &#8211; s\u00e3o minha fam\u00edlia e eu cuido delas.&#8221;<\/p>\n<p>Muwaji \u00e9 uma mulher decidida. Nascida na tribo suruwah\u00e1, no interior do Amazonas, ficou vi\u00fava ainda muito jovem. M\u00e3e de Ahuhari e da menina Iganani, aprendeu cedo a lutar pelo que quer.<\/p>\n<p>Quando sua filha Iganani come\u00e7ou a apresentar problemas de desenvolvimento motor, Muwaji decidiu ir contra a tradi\u00e7\u00e3o e manter viva a menina. Decidiu sair da aldeia num helic\u00f3ptero da FUNASA para buscar ajuda na &#8220;medicina dos brancos&#8221;. Logo descobriu que sua filha sofria de paralisia cerebral, uma doen\u00e7a grave, e que talvez nunca aprendesse a andar.<\/p>\n<p>Muwaji conhece bem a tradi\u00e7\u00e3o do seu povo e as condi\u00e7\u00f5es de vida na sua comunidade. Sabe sabe que n\u00e3o conseguiria garantir a integridade f\u00edsica nem a dignidade de sua filha estando dentro da aldeia. Por isso decidiu ficar em Bras\u00edlia por tempo indeterminado e lutar por tratamento m\u00e9dico para ela. Muwaji j\u00e1 mora em Bras\u00edlia h\u00e1 3 anos e Iganani \u00e9 atendida pelo Hospital Sarah, onde \u00e9 acompanhada por uma equipe de pediatras, psic\u00f3logos e fisioterapeutas. Al\u00e9m de Iganani, Muwaji cuida tamb\u00e9m de seu filho Ahuhari e de sua sobrinha \u00f3rf\u00e3 Inikiru. Inikiru perdeu o pai e a m\u00e3e, e foi adotada por Muwaji.<\/p>\n<p>As tr\u00eas crian\u00e7as est\u00e3o saud\u00e1veis e felizes, frequentam a escola e praticam atividades de lazer. Conversam entre si na l\u00edngua suruwah\u00e1 e procuram manter a cultura e a identidade ind\u00edgena, mesmo morando longe da aldeia. Muwaji tem orgulho de ser suruwah\u00e1 e planeja um dia voltar. Segura, ela concluiu a reuni\u00e3o de forma taxativa:<\/p>\n<p>&#8220;Quando eu quiser visitar meus parentes na aldeia, eu mesma procuro voc\u00eas. \u00c9 s\u00f3 isso que tenho a dizer.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ind\u00edgena Muwaji Suruwah\u00e1, atendida pela ATINI, recebeu uma visita inesperada nesta semana &#8211; uma comitiva formada por antrop\u00f3logos e agentes do CIMI e da FUNAI, que chegaram em dois carros na ch\u00e1cara da ATINI em Bras\u00edlia. 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