{"id":754,"date":"2006-07-24T19:13:00","date_gmt":"2006-07-24T22:13:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.atini.org.br\/2006_07_01_archive-html115376851044357151\/"},"modified":"2019-01-08T05:47:24","modified_gmt":"2019-01-08T08:47:24","slug":"fisioterapia-da-iganani","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.atini.org.br\/en\/fisioterapia-da-iganani\/","title":{"rendered":"Fisioterapia da Iganani"},"content":{"rendered":"<p><strong>Iganani Suruwah\u00e1 ganha uma salinha de fisioterapia particular!<\/strong><\/p>\n<p>Muwaji e sua fam\u00edlia, que est\u00e3o em Bras\u00edlia desde o in\u00edcio de mar\u00e7o, para o tratamento de reabilita\u00e7\u00e3o de Iganani no Sarah, finalmente est\u00e3o em paz. Agora eles est\u00e3o morando numa ch\u00e1cara em Luzi\u00e2nia junto com mission\u00e1rios da Jocum, que falam a l\u00edngua e trabalham na defesa dos direitos dos \u00edndios. Nessa nova casa eles se sentem seguros e t\u00eam a tranquilidade emocional necess\u00e1ria para continuar o tratamento m\u00e9dico da pequena Iganani.<\/p>\n<p>Muwaji e sua fam\u00edlia passaram por momentos dif\u00edceis na CASAI (casa de sa\u00fade ind\u00edgena mantida pela Funasa). Tentaram por dois meses, mas n\u00e3o conseguiram se adaptar de maneira nenhuma. Apesar de todos os esfor\u00e7os da equipe da FUNASA, a vida na CASAI era insuport\u00e1vel para essa fam\u00edlia de ind\u00edgenas semi-isolados. A conviv\u00eancia for\u00e7ada com \u00edndios de diversas etnias, a falta de compreens\u00e3o do idioma nacional, o medo de doen\u00e7as e outros problemas, fizeram com que a fam\u00edlia entrasse em crise. Eles passavam a maior parte do tempo isolados no quarto, deitados na rede, sem se comunicar. Acabaram entrando em depress\u00e3o e quase desistiram do tratamento de Iganani. O irm\u00e3o de Muwaji chegou a quebrar objetos e rasgar roupas &#8211; um sinal, na cultura suruwah\u00e1, de que a situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 estava totalmente insuport\u00e1vel.<\/p>\n<p>Os int\u00e9rpretes sabiam que a situa\u00e7\u00e3o era grave e comunicaram o fato \u00e0 dire\u00e7\u00e3o da CASAI, da FUNAI e da FUNASA. Mesmo assim, nenhuma provid\u00eancia foi tomada para ajud\u00e1-los. Cansados de esperar, no m\u00eas de maio a fam\u00edlia suruwah\u00e1 decidiu abandonar a CASAI por conta pr\u00f3pria. Foram acolhidos pela equipe de int\u00e9rpretes da Jocum, que fala a l\u00edngua e conhece a cultura desta etnia, em uma ch\u00e1cara espa\u00e7osa com muita \u00e1rea verde, \u00e1rvores frut\u00edferas e at\u00e9 planta\u00e7\u00e3o de mandioca.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o parece resolvida para os suruwah\u00e1, mas o legalismo de certos dirigentes da FUNAI acaba complicando as coisas. Como s\u00e3o ind\u00edgenas de pouco contato, alguns burocratas entendem que os suruwaha s\u00e3o como crian\u00e7as de 5 anos, incapazes de decidir sobre suas pr\u00f3prias vidas. Esses dirigentes acham que os suruwah\u00e1 n\u00e3o podem permanecer na cidade se n\u00e3o estiverem morando na CASAI. Eles interpretam a tutela da Estado de maneira fundamentalista, a ponto de privar os suruwah\u00e1 do direito de ir e vir e do direito de livre resid\u00eancia.<\/p>\n<p>Essa posi\u00e7\u00e3o radical coloca em risco a vida de Iganani e de Muwaji. Os suruwah\u00e1 acabam sendo for\u00e7ados a escolher entre viver num ambiente culturalmente insuport\u00e1vel, o da CASAI, ou voltar para a aldeia e sacrificar a pequena Iganani. Os suruwah\u00e1 se recusam a morar na CASAI e dizem que se forem for\u00e7ados a morar l\u00e1 eles preferem voltar para a aldeia. E voltaram a afirmar que, se voltar para a aldeia, Iganani ter\u00e1 que ser sacrificada e Muwaji vai se suicidar. Isso seria uma grande trag\u00e9dia para uma fam\u00edlia que vem lutando tanto pelo direito \u00e0 vida da pequena Iganani.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia de Muwaji est\u00e1 firme em sua posi\u00e7\u00e3o. Querem o tratamento m\u00e9dico de Iganani, mas querem tamb\u00e9m ser tratados com respeito e com dignidade. N\u00e3o abdicam de sua liberdade. E a equipe da Jocum, que acolheu e apoiou a fam\u00edlia, est\u00e1 aguardando a regulariza\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o por parte de FUNAI.<\/p>\n<p>Enquanto isso, alheia a essas complica\u00e7\u00f5es, Iganani vai avan\u00e7ando no tratamento. O programa de fisioterapia e acompanhamento psicol\u00f3gico est\u00e1 ajudando Iganani a alcan\u00e7ar importantes avan\u00e7os. Ela j\u00e1 consegue fazer v\u00e1rios movimentos, se arrastar para alcan\u00e7ar objetos, se alimenta sozinha e d\u00e1 passinhos com ajuda de barras paralelas. Na nova casa, foi montada uma salinha de fisioterapia onde Iganani pode se exercitar no intervalo entre as consultas. Aos poucos, essa menininha alegre e esfor\u00e7ada, vai alcan\u00e7ando sua relativa autonomia. E sua corajosa m\u00e3e avan\u00e7a em sua luta \u2013 pelo direito \u00e0 vida de sua filha e pelo respeito \u00e0 sua dignidade e liberdade de escolha.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Iganani Suruwah\u00e1 ganha uma salinha de fisioterapia particular! Muwaji e sua fam\u00edlia, que est\u00e3o em Bras\u00edlia desde o in\u00edcio de mar\u00e7o, para o tratamento de reabilita\u00e7\u00e3o de Iganani no Sarah, finalmente est\u00e3o em paz. 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