{"id":757,"date":"2006-04-21T15:24:00","date_gmt":"2006-04-21T18:24:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.atini.org.br\/2006_04_01_archive-html114528753738669022\/"},"modified":"2019-01-07T16:40:23","modified_gmt":"2019-01-07T19:40:23","slug":"olhos-tristes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.atini.org.br\/en\/olhos-tristes\/","title":{"rendered":"Olhos tristes"},"content":{"rendered":"<blockquote><p>&#8220;Esta menina est\u00e1 com os olhos tristes,mas eu n\u00e3o. Eu tenho esperan\u00e7a!\u201d Alvondi Kaingang<\/p><\/blockquote>\n<p>Essa frase foi parte da fala emocionada de um \u00edndio Kaingang, estudante de medicina, que esteve presente no manifesto que fizemos pelas crian\u00e7as ind\u00edgenas na Confer\u00eancia da ONU em Curitiba, o COP8. Ele se referia a esta menina suruwah\u00e1 da foto, que tomada por depress\u00e3o e desesperan\u00e7a, suicidou-se no ano passado. Como ela, muitas outras crian\u00e7as ind\u00edgenas t\u00eam sido sacrificadas no Brasil. Algumas s\u00e3o abandonadas pelos pais logo ao nascer. Outras s\u00e3o mortas mais tarde, se manifestarem algum problema no desenvolvimento. Al\u00e9m disso, muitas crian\u00e7as e adolescentes se suicidam anualmente nas tribos, tomadas pela mais absoluta falta de esperan\u00e7a. Algumas dessas crian\u00e7as recebem veneno das m\u00e3os dos pais, ou s\u00e3o incentivados por algum parente a dar fim a pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>Na Oitava Confer\u00eancia das Partes (COP8), que aconteceu no final de mar\u00e7o em Curitiba, lan\u00e7amos o movimento ATINI. Atini significa VOZ na l\u00edngua suruwah\u00e1. Nosso objetivo \u00e9 levantar a voz a favor das crian\u00e7as ind\u00edgenas que correm risco de serem sacrificadas. Queremos dar visibilidade a esse problema, declarando que o direito \u00e0 vida \u00e9 garantido por lei a cada crian\u00e7a, independente da etnia. Queremos trazer essa discuss\u00e3o para a sociedade, para as igrejas, meios acad\u00eamicos e para as comunidades ind\u00edgenas. Nosso objetivo \u00e9 proteger essas crian\u00e7as, garantir tratamento m\u00e9dico adequado aos sobreviventes, mover a opini\u00e3o p\u00fablica, educar a sociedade e as comunidades ind\u00edgenas, e pressionar as autoridades a fazer cumprir as leis de defesa ao direito dessas crian\u00e7as&#8230;Nossa equipe de linguistas est\u00e1 em Bras\u00edlia h\u00e1 quase um m\u00eas como int\u00e9rpretes da fam\u00edlia suruwah\u00e1. Depois de muita luta, muito choro e muita coragem, Muwaji conseguiu garantir um tratamento adequado para sua filha Iganani, que sofre de paralisia cerebral. Depois de escapar de ser morta v\u00e1rias vezes, Iganani encontra-se agora fazendo tratamento no Hospital Sarah Kubistcheck. O progresso e a alegria dela s\u00e3o percept\u00edveis. Ela j\u00e1 senta, d\u00e1 beijinhos, entende tudo o que se fala e \u00e9 muito curiosa. Mas ainda precisamos resolver o problema do alojamento dessa fam\u00edlia suruwaha. Eles est\u00e3o morando na casa de sa\u00fade ind\u00edgena da Funasa em p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es e Suzuki est\u00e1 l\u00e1 junto com eles. Al\u00e9m da quest\u00e3o cultural (os suruwah\u00e1 n\u00e3o suportam morar junto com ind\u00edgenas de outras etnias, ficam com medo e se isolam), essa casa j\u00e1 foi denunciada pelas p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias \u2013 fossa aberta na cozinha, fossas transbordando ao redor das casas, lixo exposto, falta de pagamento dos funcion\u00e1rios, doen\u00e7as de todo tipo. Estamos tentando conseguir um local mais adequado para essa fam\u00edlia, j\u00e1 que o tratamento de Iganani \u00e9 de longo prazo. Se forem for\u00e7ados a ficar nesse local os suruwah\u00e1 n\u00e3o v\u00e3o suportar e v\u00e3o acabar desistindo do tratamento, colocando a vida de Iganani em risco novamente.<\/p>\n<p>E a outra beb\u00ea? Tititu, a menina que escapou de ser morta por ter uma m\u00e1 forma\u00e7\u00e3o no \u00f3g\u00e3o genital, est\u00e1 muito bem. Tivemos um grande desgaste nesses ultimos dias para garantir que a FUNASA providenciasse o horm\u00f4nio que ela precisa para continuar viva \u2013um rem\u00e9dio que custa menos de 10 reais e que pode ser comprado em qualquer farm\u00e1cia. A Funasa n\u00e3o providenciou o rem\u00e9dio a tempo a a menina corria o risco de entrar em processo de desidrata\u00e7\u00e3o e morrer. Tivemos que fazer press\u00e3o atrav\u00e9s das autoridades aqui em Bras\u00edlia para que fosse feito um v\u00f4o de emerg\u00eancia com o lan\u00e7amento do medicamento. A FUNASA cedeu \u00e0 press\u00e3o e o lan\u00e7ou o rem\u00e9dio. Tititu continua gordinha e alegre<\/p>\n<p>Planejamos incluir mais duas crian\u00e7as no projeto ATINI. Mait\u00e1, uma Yanomami que escapou da morte e de muitos maltratos, mas que devido ao trauma n\u00e3o fala at\u00e9 hoje, com 12 anos. E um beb\u00ea ind\u00edgena que foi enterrado pela m\u00e3e logo ao nascer e desenterrado algumas horas depois pela tia. Eles est\u00e3o em Bras\u00edlia no momento. O menino tem s\u00e9rios problemas de sa\u00fade em decorr\u00eancia do abandono e enterramento nas primeiras horas de vida. Ele est\u00e1 precisando muito de nossa ajuda. Continuem conosco &#8211; precisamos do seu apoio para o projeto ATINI. Nos ajude a dar voz a essa mulheres indigenas, que como a Muwaji, tomaram posi\u00e7\u00e3o contra a morte \u2013 a favor da vida. Vamos fazer com que essa palavra de vida chegue a todos os cantos desse pa\u00eds.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Esta menina est\u00e1 com os olhos tristes,mas eu n\u00e3o. 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